A irrigação é um dos pilares da produtividade agrícola. No entanto, quando operada sem monitoramento adequado, pode se tornar também uma das principais fontes de desperdício de água e energia no campo.
Quantas vezes uma bomba de irrigação permanece ligada além do necessário? Quantas aplicações são realizadas por rotina, e não por necessidade real da cultura? Na maioria dos casos, o desperdício não ocorre por descuido, mas por ausência de dados confiáveis que orientem a decisão.
O cenário do uso da água no Brasil
Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a irrigação representa aproximadamente 52% da retirada total de água no Brasil, sendo o maior setor demandante do recurso.

Projeção para as demandas de utilização da água no Brasil, por setor (%) e total sem considerar a evaporação dos reservatórios (Reprodução ANA)
Ao mesmo tempo, estudos internacionais indicam que uma parcela significativa da água destinada à irrigação pode ser perdida ao longo do processo devido à gestão inadequada, falhas operacionais e ausência de monitoramento estruturado.
As projeções para os próximos anos reforçam a necessidade de mudança. A própria ANA estima que a demanda por água no país deve crescer cerca de 24% na próxima década, pressionando ainda mais os sistemas produtivos.
Diante desse cenário, eficiência hídrica deixa de ser apenas uma questão ambiental, torna-se uma questão estratégica.
Onde ocorre o desperdício na irrigação
O desperdício hídrico geralmente está associado a três fatores principais:
- Irrigação baseada em programação fixa (horário) e não na necessidade real da cultura
- Falta de monitoramento da umidade do solo em diferentes profundidades
- Ausência de integração entre consumo de água e consumo de energia
Quando o produtor não dispõe de dados precisos, a decisão tende a ser conservadora: aplica-se mais água do que o necessário para evitar risco produtivo. O resultado é aumento de custo operacional, desgaste de equipamentos e uso ineficiente de um recurso cada vez mais escasso.
Irrigação orientada por dados: o papel dos sensores
A transição para uma gestão hídrica inteligente começa com informação.
Sensores de umidade do solo instalados na zona radicular permitem identificar com precisão o volume de água disponível para a planta. Em vez de irrigar por estimativa, o produtor passa a irrigar quando o solo atinge níveis críticos previamente definidos.
Estações meteorológicas no campo complementam essa análise ao permitir o cálculo da evapotranspiração da cultura — indicador fundamental para estimar a reposição hídrica necessária com base em temperatura, umidade do ar, radiação solar e vento.
Com esses dados, a irrigação deixa de ser baseada em rotina e passa a ser orientada por parâmetros técnicos.
Automação e IoT na gestão hídrica
A Internet das Coisas (IoT) amplia o potencial dessa abordagem ao integrar sensores, bombas, válvulas e medidores em um sistema único de monitoramento e controle.
Na prática, isso permite:
- Acionamento automatizado com base em dados reais de campo
- Monitoramento remoto de múltiplas áreas simultaneamente
- Cruzamento entre consumo de água e consumo de energia
- Registro histórico por talhão, cultura ou safra
- Alertas automáticos em caso de falhas elétricas ou hidráulicas
Essa integração transforma o processo de irrigação em um sistema inteligente, com rastreabilidade e previsibilidade operacional.
Eficiência hídrica como vantagem competitiva
A adoção de tecnologia na irrigação não representa apenas economia de água. Ela impacta diretamente:
- Redução de custo energético
- Maior uniformidade produtiva
- Diminuição de desgaste de equipamentos
- Conformidade com critérios ambientais e certificações
- Melhoria na governança operacional
Em um cenário de pressão regulatória crescente e maior exigência por práticas sustentáveis, a gestão hídrica baseada em dados torna-se diferencial competitivo.
Produtividade e sustentabilidade deixam de ser objetivos opostos e passam a ser resultados complementares de uma operação tecnicamente estruturada.
O papel da tecnologia na transformação do campo
A modernização da irrigação não depende apenas da instalação de sensores ou da automação isolada de bombas. Ela exige integração, análise de dados e visão sistêmica da operação.
É nesse contexto que soluções de monitoramento e automação assumem papel estratégico, permitindo que o produtor tenha controle efetivo sobre seus indicadores operacionais e ambientais.
A gestão hídrica inteligente não é apenas uma tendência tecnológica. É uma evolução necessária para garantir eficiência, competitividade e sustentabilidade no campo.
Conclusão
Diante do crescimento da demanda por água e da necessidade de aumentar a eficiência produtiva, a irrigação baseada em dados deixa de ser diferencial e passa a ser requisito operacional.
A tecnologia aplicada de forma estruturada permite reduzir desperdícios, otimizar custos e fortalecer a gestão da propriedade rural.
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Texto: João Victor Souza Revisão técnica: Diego Stefanello






