Em 1982, um grupo de estudantes da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh (Pensilvânia), desenvolveu um sistema em uma máquina de refrigerantes capaz de monitorar a quantidade e a temperatura das bebidas e enviar essas informações para a rede local da universidade. Esse experimento é considerado um dos primeiros precursores da Internet das Coisas (IoT). No início dos anos 2000, com a popularização da internet e a redução do custo de sensores e dispositivos eletrônicos, tornou-se viável coletar dados automaticamente de objetos físicos e transmiti-los pela rede.
Foi nesse contexto que a IoT começou a ganhar escala. Menos de uma década depois, o número de dispositivos conectados já superava a população humana mundial, segundo dados da IoT Analytics. De forma simples, IoT é quando objetos físicos passam a gerar dados e se comunicar pela internet. Esses objetos podem ser máquinas, motores, bombas, sensores industriais ou até a cafeteira programada para ter o café pronto ao acordar.
Eles coletam informações do ambiente ou do próprio funcionamento, como temperatura, pressão, nível, vibração ou consumo de energia, e enviam esses dados para outro sistema, onde são visualizados, analisados e usados para apoiar decisões. A grande mudança é que isso acontece automaticamente, sem depender de alguém anotando valores manualmente ou realizando inspeções constantes.
Como funciona a IoT Industrial
O funcionamento da IoT é mais simples do que parece. Primeiro, sensores medem variáveis do mundo real, como a temperatura de um motor ou o consumo de energia de uma máquina. Em seguida, um dispositivo eletrônico recebe esses dados e os transmite pela rede. Essa comunicação pode acontecer por cabo, Wi-Fi, rede celular ou outras tecnologias, dependendo do local e da aplicação. Por fim, as informações chegam a um sistema ou aplicativo, onde a equipe responsável consegue visualizar o que está acontecendo, identificar desvios e agir no momento certo, muitas vezes antes que o problema se torne grave.
Por que a IoT se tornou essencial
O mundo industrial ficou mais complexo, mais caro e menos tolerante a erros. Processos que antes podiam ser controlados manualmente hoje envolvem muitos equipamentos, variáveis e custos elevados. Nesse cenário, operar sem dados deixou de ser uma opção viável. Além disso, os chamados “custos invisíveis” cresceram: paradas não planejadas, desperdício de energia, perda de eficiência e manutenção realizada apenas após a falha passaram a impactar diretamente a competitividade das empresas. A IoT muda essa lógica. Ela tira a operação do modo reativo, em que os problemas só são percebidos quando já causaram impacto, e leva para um modelo baseado em informação, previsibilidade e controle. Em um mercado cada vez mais competitivo, quem usa dados decide melhor, desperdiça menos e opera com mais segurança.
O que muda quando você usa IoT Industrial
Na prática, a primeira grande mudança é a visibilidade. Equipamentos passam a mostrar como estão operando, quanto consomem, por quanto tempo ficam ligados e em que momento começam a sair do padrão. A segunda mudança é na manutenção. Sem IoT, ela costuma ser corretiva ou baseada apenas em períodos fixos. Com IoT Industrial, surge a manutenção preventiva e preditiva, baseada no comportamento real da máquina, reduzindo falhas inesperadas e aumentando a vida útil dos ativos.
Benefícios reais
Os principais benefícios da IoT Industrial são:
- Visibilidade contínua do processo produtivo;
- Redução de paradas não planejadas;
- Diminuição de custos operacionais;
- Melhoria na eficiência energética;
- Decisões baseadas em dados reais.
Com a IoT Industrial, o controle da operação passa a estar literalmente na palma da mão. A empresa deixa de apenas reagir aos problemas e passa a antecipá-los, transformando dados em vantagem competitiva.
Texto: João Victor Souza.
Revisão: Diego Stefanello.






