Projeto utiliza sensores e sistemas inteligentes para controlar variáveis ambientais em tempo real.
A automação no campo tem transformado a forma como produtores monitoram e controlam cultivos agrícolas, especialmente em ambientes protegidos, como estufas. Sensores, sistemas inteligentes e monitoramento em tempo real já fazem parte de projetos que buscam aumentar a produtividade, reduzir desperdícios e tornar a produção mais eficiente.
No Laboratório do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Drive Automação e Tecnologia está desenvolvendo uma estufa automatizada voltada ao monitoramento de variáveis ambientais e ao controle de sistemas de produção. O projeto reúne diferentes tecnologias de sensores, comunicação e automação aplicadas ao ambiente agrícola.
Para entender como funciona esse processo e quais os impactos da tecnologia na produção dentro das estufas, conversamos com o engenheiro eletricista e Diretor de Tecnologia da Drive, Diego Stefanello. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
[Drive insights] Como funciona a automação de uma estufa?
[Diego Stefanello] Basicamente, a automação serve para cuidar/controlar o ambiente da estufa automaticamente. A gente instala sensores que monitoram temperatura, umidade do ar, umidade do solo, luminosidade e outras variáveis importantes para determinado cultivo e depois de ajustar os controles necessários, o sistema toma decisões sozinho. Por exemplo: se a temperatura sobe demais, ele pode ligar ventiladores ou exaustores. Se o solo começa a secar, aciona a irrigação. A ideia é manter o ambiente sempre mais estável possível para a planta se desenvolver melhor.
[Drive insights] Quais atividades dentro da estufa hoje são automatizadas?
[Diego Stefanello] Hoje é possível automatizar quase tudo dentro de uma estufa. Irrigação é o mais comum, mas também tem controle de temperatura, ventilação, umidade, iluminação e até aplicação de nutrientes. Além disso, muitos sistemas fazem monitoramento remoto, então o produtor consegue acompanhar tudo pelo celular, receber alertas e ver históricos dos dados da produção.
[Drive insights] Que tecnologias estão sendo utilizadas nesse projeto?
[Diego Stefanello] Nesse projeto estamos testando muitas tecnologias diferentes, sensores de solo, como umidade, condutividade, pH e NPK, além de sensores de ambiente para medir temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica, luminosidade, velocidade e direção do vento. Também trabalhamos com diferentes redes de comunicação, como Wi-Fi, LTE e LoRa, para avaliar desempenho, alcance e confiabilidade em diferentes cenários. Além da parte de monitoramento, estamos desenvolvendo automação para controle de fertirrigação, ventilação e outros sistemas da estufa.
[Drive insights] Quais são os principais benefícios dessa automação para a produção?
[Diego Stefanello] O maior benefício é o aumento da produção e a diminuição de perdas. Quando você consegue monitorar e controlar melhor o ambiente da estufa, a planta sofre menos estresse e consegue se desenvolver de forma mais estável. Além disso, o monitoramento em tempo real ajuda a identificar problemas mais rápido e tomar decisões melhores no dia a dia. A automação também reduz falhas manuais e melhora o uso de recursos como água, energia e insumos.
[Drive insights] Essa estufa pode ser utilizada por pequenos produtores, quais dicas você daria para alguém que queira replicar isso em casa de uma forma mais simples?
[Diego Stefanello] Com certeza. Inclusive essa é uma das ideias do projeto: mostrar que automação não precisa ser algo distante ou caro. Quem quiser começar pode focar primeiro no básico, como monitorar temperatura e umidade. Tendo essas informações, o controle fica muito mais fácil, porque as decisões passam a ser baseadas em dados reais.
Na etapa seguinte, pequenas automações podem ser feitas, como irrigação e ventilação. Mesmo uma automação simples já ajuda bastante no controle do cultivo. O mais importante é começar pequeno, entender as necessidades da planta e ir evoluindo aos poucos conforme a necessidade.
Entrevista: João Victor Souza, estagiário de comunicação na Drive Automação e Tecnologia.






