A agricultura moderna enfrenta um desafio cada vez mais relevante: produzir mais, com maior qualidade e utilizando os recursos de forma inteligente. Nesse cenário, tecnologias de monitoramento e automação vêm ganhando espaço tanto em grandes propriedades quanto em ambientes de pesquisa, onde o controle preciso das condições de cultivo é fundamental para a geração de conhecimento e inovação.
No Laboratório do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Drive Automação e Tecnologia está desenvolvendo uma estufa automatizada voltada ao monitoramento de variáveis ambientais e ao controle de sistemas de produção. O projeto integra sensores, comunicação de dados e automação para criar um ambiente capaz de acompanhar, em tempo real, fatores que influenciam diretamente o desenvolvimento das plantas.
Para falar sobre a importância dessa transformação, conversamos com o professor Dilson Antônio Bisognin. Engenheiro agrônomo, mestre em Fitomelhoramento pela Universidade Federal de Pelotas, doutor em Genética e Melhoramento de Plantas pela Michigan State University e pós-doutor em Ciência Molecular de Plantas pela mesma instituição, Bisognin possui uma longa trajetória dedicada à pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento tecnológico aplicado ao setor agrícola.
Além de atuar nas áreas de genética, melhoramento e propagação vegetativa de plantas, o professor participou da criação do Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NIT) da UFSM e também contribuiu para o desenvolvimento de políticas de inovação tecnológica no Rio Grande do Sul.
Na entrevista, ele explica como surgiu a necessidade de automatizar as estufas da universidade, os desafios do monitoramento ambiental, os impactos da automação na pesquisa científica e como a parceria entre universidade e empresa pode contribuir para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas aos produtores rurais e ao avanço da agricultura brasileira.
[Drive Insights] Professor, para começar, como surgiu a necessidade de automatizar as estufas da UFSM?
[Dilson Bisognin] A principal necessidade surgiu da busca por um controle mais efetivo do ambiente. Apenas observar as plantas ou visitar a estufa periodicamente nem sempre é suficiente para identificar problemas no momento em que eles acontecem. Com a automação e o monitoramento contínuo, passamos a ter informações que auxiliam na tomada de decisão e permitem realizar o manejo no momento adequado. Isso é fundamental porque as plantas respondem rapidamente às mudanças ambientais, e qualquer atraso pode resultar em perdas de produtividade, qualidade ou até comprometer experimentos inteiros.
[Drive Insights] Antes desse projeto, como era realizado o monitoramento das estufas?
[Dilson Bisognin] Utilizávamos pequenas estações meteorológicas para acompanhar principalmente a temperatura e a umidade relativa do ar. Essas informações serviam como apoio, mas muitas vezes a própria estrutura das estufas limitava as possibilidades de manejo. Algumas permitem a abertura de cortinas ou janelas para melhorar o controle ambiental, mas nem sempre isso é suficiente. Por isso, frequentemente recorremos a sistemas complementares, como nebulização, sombreamento e resfriamento. Quanto mais recursos são incorporados, maior se torna a necessidade de automação para gerenciá-los de forma eficiente.
[Drive Insights] Quais serão os principais benefícios da automação para a universidade?
[Dilson Bisognin] Um dos principais benefícios é a redução da influência do erro humano. Na universidade, trabalhamos constantemente com novos alunos, que nem sempre possuem a experiência necessária para tomar as melhores decisões relacionadas ao manejo do ambiente. A automação auxilia justamente nesse processo, permitindo respostas mais consistentes e no momento correto. Além disso, passamos a registrar todo o histórico ambiental da estufa, o que melhora significativamente a qualidade das pesquisas.
[Drive Insights] E como esses dados podem contribuir para as pesquisas?
[Dilson Bisognin] Quanto mais informações tivermos sobre as condições ambientais às quais as plantas foram submetidas, maior será nossa capacidade de interpretar os resultados dos experimentos. Isso permite compreender como diferentes variedades respondem às mudanças de temperatura, umidade e outros fatores ambientais. Com esse conhecimento, podemos desenvolver pesquisas que antes não eram viáveis e criar ambientes específicos para estudar diferentes comportamentos das plantas.
[Drive Insights] Como o senhor explicaria a importância da automação para alguém que ainda não conhece essa tecnologia?
[Dilson Bisognin] A automação permite que atividades que hoje exigem acompanhamento constante sejam realizadas de forma automática. Sem automação, alguém precisa monitorar as condições ambientais, deslocar-se até a estufa, abrir ou fechar cortinas e decidir quando irrigar. Com sensores e sistemas automatizados, essas decisões podem ser tomadas com base em dados em tempo real, reduzindo a necessidade de intervenção manual e aumentando a precisão das operações.
[Drive Insights] E para um produtor rural, qual seria a principal vantagem?
[Dilson Bisognin] A principal vantagem é otimizar o uso da mão de obra e melhorar a tomada de decisão. Atualmente existe uma dificuldade crescente para encontrar mão de obra qualificada no campo. A automação auxilia na execução de tarefas repetitivas e garante que as decisões sejam tomadas no momento adequado. Além disso, contribui para o uso mais eficiente de recursos como água e energia.
[Drive Insights] Como o senhor descreveria a participação da Drive neste projeto?
[Dilson Bisognin] A grande contribuição da Drive foi aceitar o desafio e construir essa solução conosco desde o início. Apresentamos uma demanda e a empresa se colocou à disposição para desenvolver as tecnologias necessárias. Essa parceria aproxima a universidade de uma empresa especializada, criando um ambiente muito favorável à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
[Drive Insights] E qual o próximo passo dessa parceria?
[Dilson Bisognin] O próximo passo é transformar esse conhecimento em soluções que possam chegar ao mercado. Nosso foco está principalmente em sistemas acessíveis para pequenas e médias propriedades, especialmente aquelas que trabalham com cultivo protegido. A ideia é desenvolver tecnologias capazes de atender diferentes realidades e níveis de investimento, tornando a automação cada vez mais acessível aos produtores.
[Drive Insights] A parceria entre a UFSM e a Drive Automação e Tecnologia demonstra como a integração entre universidade e empresa pode acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras para o agronegócio. Ao unir pesquisa científica, automação e monitoramento em tempo real, o projeto busca não apenas aprimorar os experimentos conduzidos na universidade, mas também criar tecnologias que possam chegar ao campo e contribuir para uma agricultura mais eficiente, sustentável e acessível aos produtores brasileiros.
Entrevista: João Victor Souza, estudante de Jornalismo e estagiário de Comunicação na Drive Automação e Tecnologia.
Supervisão técnica: Diego Stefanello, Engenheiro Eletricista e Diretor de Tecnologia da Drive Automação e Tecnologia.






